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Escoliose: você sabe se seu filho tem?

Até cerca de seis anos de idade, Lorenzo Odone foi uma criança normal. Mas, a partir daí, sua vida começou a mudar. Começou a ter apagões, lapsos de memória e outros fenômenos mentais estranhos.

Ele foi diagnosticado com adrenoleucodistrofia (ALD), uma doença genética rara, que ataca o cérebro e o sistema nervoso, causando uma deficiência severa e a morte prematura.

Por anos, seus pais, Michaela e Augusto, tentaram algo que fosse satisfatório para seu filho. Chegaram a uma fórmula, patenteada por eles, que combinava ácido erúcico e ácido oleico, no que foi chamado de Óleo de Lorenzo.

Com o óleo, Lorenzo viveu bem mais do que os dois anos preconizados pelos médicos de então. Ele morreu em 2008, de pneumonia, aos 30 anos.

Os estudos mostraram que o óleo desenvolvido pelos seus pais, que não eram médicos, nem cientistas, diminuía bastante as chances de portadores de ALD desenvolverem a doença na infância.

A história de superação, dedicação e amor ao filho é contada no filme “Óleo de Lorenzo”, de 1992, com Susan Sarandon e Nick Nolte.

Casualidade e detecção

Há, entretanto, doenças bem menos raras e com farta literatura e conhecimento médicos capazes de detectar prematuramente, tratar e, em muitos casos, curar.

A escoliose é uma delas. É uma das deformidades mais frequentes da coluna vertebral, atingindo 1% da população. Não é pouca coisa e basta fazer a conta. Somos 8 bilhões de seres humanos. Um por cento são 80 milhões de pessoas. No Brasil, esse 1% daria 2 milhões de pessoas – mas a projeção é que seria 3% dos brasileiros com a doença, o que daria 6 milhões.

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Radiografia de escoliose: coluna em forma de “S” , costelas assimétricas, ombros e tórax desnivelados

As formas mais comuns acometem os adolescentes, sendo mais prevalente em meninas que meninos.

Muitas vezes, os pacientes são diagnosticados em consultas ou exames de imagens com outras finalidades, como, por exemplo, um raio-x para estudo diagnóstico de pneumonia.

O que é escoliose

A escoliose é uma curvatura anormal da coluna vertebral, com a rotação das vértebras.

Ela pode ser de nascença – a mais comum –, neuromuscular, idiopática e degenerativa, já na idade adulta.

Os casos leves não chegam a afetar a vida cotidiana. Mas os mais graves podem causar dor e limitações.


Paciente com escoliose do adolescente. Note a assimetria das pregas da cintura e a sinuosidade da coluna vertebral

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Em flexão, observe a deformidade das costelas conhecida como “giba costa”

Infelizmente, alguns pacientes portadores de escoliose evoluem com curvas de alto grau sendo predispostos à dor crônica vertebral, alterações respiratórias e/ou neurológicas.

Como é comum na medicina, os agravos à saúde, quando cedo diagnosticados, são sempre melhor e mais facilmente tratados, do que em seus estágios mais avançados.

Os pais de crianças com escoliose não precisam lutar para tratar seus filhos, como fizeram os Odone.

A orientação é de uma consulta ortopédica entre 10 e 15 anos, ou antes, se houver dúvidas quanto à postura e alinhamento da coluna vertebral dessas crianças ou adolescentes.

Exercícios de fisioterapia, com RPG (Reeducação Postural Global) são suficientes para tratar curvas de menor grau. Curvas maiores podem indicar a necessidade de uso de coletes e até mesmo a correção cirúrgica.

A luta dos Odone mostra o quanto o amor pelo filho pode mover os pais. Em alguns casos, basta um gesto simples de prevenção e detecção precoce.

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